Publico.org na disputa pelo Knight News Challenge
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
Paulo Leminski
O texto acima foi citado dia desses pelo André Deak durante o planejamento do projeto publico.org.br, e desde então virou um mote.
O primeiro “filho” desse coletivo acaba de mostrar a cara. Inscrevemos o publico no News Challenge, da americana Knight Foundation. Anualmente, o News Challenge financia projetos do mundo todo que envolvam tecnologia, inovação e informação com foco na comunidade.
A explicação do que propomos com o PUBLICO vai na seqüência do post, mas, em resumo, trata-se de uma plataforma de produção e distribuição colaborativa de conteúdo, voltada para os problemas da comunidade e associada a ferramentas de valoração e recompensa baseadas nos princípios da Economia Solidária. Complicado? Leia a descrição em seguida, ou pergunte.
Esse post é um pedido de ajuda. Todos os projetos inscritos no News Challenge estão listados no site do prêmio, com ferramentas de comentário e avaliação. O financiamento não é baseado em popularidade, mas visibilidade sempre ajuda. Portanto, se interessar, peço que cliquem no link abaixo. Se interessar mais ainda, cadastrem-se e votem, comentem.
Clique aqui para ver o projeto.
Acreditamos muito nesse projeto e na possibilidade de um jornalismo verdadeiramente cidadão, comprometido e, por que não, lúdico. Por isso o pedido.
Leia a descrição detalhada do projeto apresentado ao News Challenge.
Tags: colaboração, comunidade, jornalismo, knight foundation, mobilização, news challenge, periferia, prêmio, são paulo | Comente! (3)Publico.org é uma rede de pessoas
Uma associação de redes é como vejo o Publico.org. A idéia surgiu por meio de uma simples troca de emails que virou uma desconferência e resultou num coletivo, que pretende fortalecer outros coletivos capazes de criarem uma “sociedade em rede” disposta a transformar idéias em realidades.
Esse é um projeto que busca dar a voz às diversas comunidades como estudantes, blogueiros, ativistas da sociedade civil organizada, profissionais, entre outros. Por enquanto, este espaço reúne um pouco daquilo que sonhamos fazer um dia na área de jornalismo.
Hoje nosso esforço coletivo busca ser um dos primeiros projetos do Brasil a obter os recursos da Fundação Knight na seleção News Challenge, cuja inscrição foi de 2086 projetos. Você pode conhecer mais sobre Publico.org aqui e ainda contribuir com a visibilidade do nosso projeto, votando ( aperte na quinta estrelinha após fazer o cadastro), comentando ou simplesmente dando uma olhadinha. Participe!
Tags: Educação | Comente! (0)Publico, logo filtro - ou Filtro, logo publico?
Trecho de uma entrevista bastante pertinente de Daniela Bertocchi (Intermezzo), publicada no blog O Jornalismo Morreu. Republico aqui, porque acho que pode ser bastante importante para as discussões do Publico.org:
O “jornalismo participativo” (colaborativo) ocorre quando um cidadão, ou grupo de cidadãos, assume uma função ativa no processo de recolha, reportagem, análise e divulgação de notícias e informações. O objetivo desta participação é fornecer aquilo que um sistema democrático exige: informação independente, confiável, acurada e variada.
O “jornalismo cívico”, por outro lado, procura encorajar a participação, mas as organizações noticiosas mantêm um elevado nível de controle através da determinação da agenda temática, da seleção dos participantes e da moderação das conversas.
Resumida e simplificadamente (e peço também desculpas pelo tom professoral), a distinção é essa: o colaborativo pressupõe uma interferência mínima ou nula por parte de jornalistas no conteúdo gerado pelos usuários; no cívico, ao contrário, é suposto um controle desta interação através da edição, da filtragem de informações e da moderação da participação dos usuários.
A partir do que eu digo acima, é completamente natural não encontrarmos a prática do jornalismo colaborativo nos grandes portais brasileiros, uma vez que sabemos que estes são projetos de tradição jornalística que claramente defendem o jornalista profissional como aquele capaz de editar, filtrar, checar etc. as informações com mais propriedade e melhor rigor do que qualquer um outro profissional ou cidadão.
Assim, o leitor não é percebido como jornalista profissional. Torna-se um colaborador importante, mas não essencial para o funcionamento da máquina jornalística.
É por isso que o UOL errou ao publicar uma foto de leitor sem antes passar um olhar atento sobre a imagem. E acertou em assumir o erro. Este processo revelou exatamente como as coisas são entendidas pelos portais: deve ser exercido o controle do jornalista através da edição, da filtragem de informações e da moderação da participação dos usuários. Fundamental é mesmo o corpo de jornalistas presentes da redação, profissionais com habilidades e competências para desempenhar as suas funções com qualidade. Ou seja, não existe jornalismo colaborativo nos portais brasileiros.
Se existisse, não haveria a lógica do “erro”. Em vez do “filtro, logo publico”, ficaríamos com o “publico, logo filtro” e tudo bem (processo de construção conjunto entre comunidades). Aí reside a diferença fundamental.
Se a questão for entendida por uma perspectiva do controle, a intervenção dos usuários na produção noticiosa é realmente uma batata quente nas mãos dos media online. A beleza e o encanto democrático do jornalismo participativo parecem se apagar precisamente quando o assunto esbarra na questão da autonomia profissional (e da autoria). Até que ponto as empresas de comunicação e os jornalistas querem perder o controle e, portanto, o poder do discurso noticioso, e até que ponto podem resistir a um fenômeno emergente de participação, figura-se como uma encruzilhada que não se resolveu ao longo dos últimos anos.
Ocorre que o discurso em torno do jornalismo colaborativo está em voga. Existe todo um discurso pró-participação do usuário a ser repercutido por especialistas dos media, estudiosos do jornalismo e simpatizantes do assunto. E então os portais entram nesta onda. E pedem a colaboração de seus leitores. Sem entender o que isso significa. E depois não sabem o que fazer com essa colaboração.
Do leitor online, esperamos uma cooperação em três níveis: 1) interpretativa (isso ocorre com qualquer tipo de leitor, seja de romance ou telenovela), 2) exploratória (clicar no mouse, navegar) e 3) intervencionista (interferir, participar, colaborador, ser co-autor).
Relativamente ao item 3, que mais importa aqui nesta discussão, sabemos que no ciberespaço jornalista e leitor poderiam trabalhar juntos para o bem comunicar uma história.
Perguntas delicadas: O jornalista precisa/quer abrir mão de suas estratégias autorais no ciberespaço? Se sim, como dividir entre autor e leitor, na prática, a responsabilidade do “bem narrar” uma notícia? Quando ambos querem narrar uma mesma história, num mesmo espaço, ou então quando o leitor, já na posição de autor, quer interferir na estratégia do autor, agora na posição de leitor? Se a retórica é toda ela uma negociação da distância entre sujeitos, como efetuar a aproximação?
O que sustento é que no ciberjornalismo existe, na verdade, uma “liberdade simulada” do leitor, e não propriamente uma “liberdade real”.
O jornalista do cibermeio - lembremos que estamos aqui a falar dos portais jornalísticos - continua a ter controle retórico da narrativa, e ao leitor é conferida a possibilidade de escolher caminhos para completar a sua leitura da narrativa (coisa que a literatura já faz há muito tempo) e, eventualmente, dada a ele a chance de participar de alguma forma (submeter sugestões, informações etc.), mas mais raro será permiti-lo intervir em nível estruturalmente profundo da narrativa. Quando isso acontece (participação), é sob o olhar atento de jornalistas.
Não posso deixar de citar alguma coisa sobre o perfil do jornalista que trabalha com a web porque isso também tem ligações com a minha prática docente. Respondendo diretamente: a) não, o webjornalista (ou ciberjornalista, como prefiro) não está preparado para absorver e lidar com a web 2.0; b) os estudos acadêmicos são pouco considerados nas redações on-line; c) sim, naturalmente que é cabível investir em uma discussão – seja na academia, seja no campo profissional – a respeito da deontologia do webjornalista.
Quando você pergunta o que falta para os produtores de conteúdo realmente lidarem com o Jornalismo Colaborativo? então a resposta está ai: transformar radicalmente o entendimento do que seja fazer jornalismo.
E entender que ele pode ser feito de várias formas não-excludentes, com e sem colaboração de cidadãos. Desta forma, uma palavra que não serve aqui é “dicotomia” e outra que vem bem a calhar é “co-existência”. Particularmente, penso que o jornalismo precisa de profissionais que se dediquem à prática de informar em tempo integral e não somente de cidadãos-repórter nas horas livres.
Penso que o jornalismo homogêneo e único (e unissonante) está morrendo. E começam a nascer jornalismos, no plural, heterogêneos e mais coloridos.
Tags: colaboração, jornalismo, jornalismo participativo | Comente! (1)Mapa da censura eleitoral
Em ano eleitoral, sempre há uma chuva de processos contra a imprensa, especialmente em cidades do interior. Veja no mapa abaixo todos os casos detectados neste ano no Brasil de decisões judiciais contra a publicação de notícias ou até de nomes de políticos.
Ver maior
Publico ou Público?
A idéia é manter a ambigüidade, mas a resposta tende ao Publico, sem acento, do verbo publicar.
Do Houaiss online:
Publicar
Datação
sXIII cf. FichIVPM
Acepções
■ verbo
transitivo direto
1 tornar (algo) público, amplamente conhecido; divulgar, propagar
Ex.: <p. uma notícia> <p. um boato>
transitivo direto
2 levar (algo) ao conhecimento do público
Ex.: p. uma lei
transitivo direto
3 reproduzir (obra escrita) por meio de impressão ou outro meio; dar à luz, editar
Ex.: um editor que publicou obras importantes
transitivo direto
4 fazer imprimir e pôr à venda ou distribuir gratuitamente (trabalho escrito, desenho, gravura, pintura etc.)
Ex.: p. um romance
Etimologia
lat. publìco,as, ávi,átum,áre ‘fazer público, dar ao público, deixar-se ver, mostrar-se em público’; ver public-; f.hist. 1390 pubricar, sXV poblicar, sXV proujqar

